Situação mais calma no Irão? "Não temos uma imagem clara", diz ONG à Antena 1

A organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirma que é difícil de perceber qual a real situação no país, onde aponta uma onda de repressão mais forte contra os protestos que começaram no final do ano passado.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Abedin Taherkenareh - EPA

Ao contrário do que garantiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, que disse que "a situação está agora sob total controlo do país", a organização não governamental Iran Human Rights não tem assim tanta certeza.

"Por causa do corte na internet, é muito difícil obter informação", diz o diretor Mahmood Amiry-Moghaddam à Antena 1, sublinhando que "as últimas notícias que recebemos são da última noite".

"Não temos uma imagem clara, neste momento, da extensão das manifestações, mas também houve protestos ontem à noite", sublinha.
Os protestos da última noite juntam-se à onda de manifestações que acontecem desde o final de dezembro. No início alertavam para o custo de vida, mas tornaram-se numa contestação ao regime. 

Já na terceira semana, as organizações fora do país não apresentam os mesmos números sobre as mortes resultantes dos protestos. Para esta segunda-feira, a Iran Human Rights prometeu uma atualização desses números, garantindo apenas que são "várias centenas de mortes". 

Numa questão Mahmood Amiry-Moghaddam tem a certeza: está para começar uma nova onda de execuções perante protestos que têm sido reprimidos com mais brutalidade. 

Em 2022, houve outra onda de protestos quando Mahsa Amini morreu sob custódia policial após usar o véu de forma inadequada.

"Desta vez acho que é muito mais forte porque o regime está no seu ponto mais fraco, está a lutar seriamente pela própria sobrevivência", afirma o diretor Mahmood Amiry-Moghaddam.
O responsável fala num "bloqueio total" que não existiu anteriormente e com a Guarda Revolucionária nas ruas a disparar contra as pessoas na capital.

Pode ouvir de seguida a entrevista completa à Antena 1 desta organização de Direitos Humanos do Irão [The interview of Iran Human Right to Antena 1 is available in english].
Além de alegar que a situação está mais calma no país, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, citado pela Al Jazeera, afirmou que "estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo".

Os protestos "tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa" ao presidente dos Estados Unidos para uma intervenção militar no Irão, defendeu Araghchi.

Segundo o grupo de Direitos Humanos HRANA, com sede nos EUA, já terão morrido quase 500 manifestantes e perto de 50 agentes de segurança, com mais de 10 mil detidos desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

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